
Antes de partir para os EUA acompanhar o nascimento do seu filho Daiwa, Fernando Eguchi, a.k.a. feguchi, deixou a exposição “Metropolix in EMERGENCY” na Japonique. Ela será apresentada este mês. Detalhe: será montada e desmontada em apenas 1 dia.

Segundo feguchi, essa velocidade tem tudo a ver com a cidade onde produziu estes trabalhos: Tóquio. Lá a exposição também foi assim, relâmpago.
Anote aí na agenda: é 30 de julho. E não deixe de conferir os produtos feitos especialmente para esta parada de “Metropolix in EMERGENCY” na Japonique.
Leia abaixo uma entrevista com feguchi.



- Como você define seu trabalho e o que pretende com ele?
- Acredito que o meu trabalho nada mais é do que a mistura de todas as minhas experiências/curiosidades, seja dentro da música, do desenho, da fotografia, da arquitetura. Tenho o espaço urbano como centro de inspiração. As pretensões são diversas, assim como a diversidade de materiais e técnicas que utilizo.
- Como foi a transição da arquitetura para as artes?
- A arquitetura continua na minha vida e no meu trabalho. Arquitetura para mim é a forma como enxergo a vida na cidade, os problemas e as soluções. E a arte é a forma como traduzo este olhar.
- Como é a vida de um brasileiro descendente e artista lá?
- Assim como a grande maioria dos brasileiros descendentes de japoneses cheguei no Japão para trabalhar numa fábrica. No meu caso, uma fábrica de video-games. Posso dizer que foi onde tive a minha primeira experiência audiovisual no Japão (risos). Após 9 meses de trabalho na função “ROBOT Mode On”, tive condições de me mudar para Tóquio. O interessante desta mudança é que junto com ela nascia também uma nova forma de me expressar, adotando ferramentas do meu cotidiano na época: lápis, canetas tinteiro e, principalmente, a máquina fotográfica do telefone celular. E foi assim que, aos poucos, na contramão de todo aquele universo tecnológico, fui me afastando do uso do computador como ferramenta principal para criação dos meus trabalhos. Surge então o nome Hi-analogicKID, que representa esta fase de transição, da mistura entre os elementos tecnológicos e analógicos, da produção sob a ótica de uma criança, que se diverte com qualquer objeto que esteja ao seu alcance.
- Como a cultura oriental influenciou o seu trabalho?
- Sou parte da 3º geração dos descendentes de japoneses criados no Brasil e considero que a geometria e o cuidado pelos detalhes sejam os principais elementos orientais presente na produção dos meus trabalhos.
- Quem e o que vc conheceu lá que a gente aqui precisa conhecer?
- Seria um grande prazer poder apresentar o trabalho desses caras no Brasil: EI WADA, DAITO MANABE, HIFANA, DOPESAC, SHOKO, entre outros.
- Dicas de lugares no Japão que amou ou que fizeram parte do seu dia-a-dia?
- Lugares: LAST Gallery, Nadiff, MOT (Museum of Contemporary Art,Tokyo), AIT (Art Initiative Tokyo), Tokyo Opera City, Mori Art Museum, Media Art Festival.
Bairros: Shimokitazawa, Kichijoji, Koenji, Tsukiji, Shirokane, Ebisu e ruelas, vielas e becos de Shibuya, Shinjuku, Ginza, Ueno, Asakusa.
- Alguma forma de pensar que chamou sua atenção?
Tentar não pensar.
- Como está sendo a experiência em ser pai e morar nos EUA?
Um grande amigo me escreveu esses dias: “Nasce um filho, nasce também um pai.” E assim está sendo a minha nova fase, um renascimento. Morar no EUA não fazia parte dos meus planos até então, mas já que fui presenteado com este cenário vamos aproveitar. Afinal de contas, NY não é tão ruim assim. (risos) Coração e mente abertos seguimos sempre em frente.
- Quais os novos planos?
Com a chegada do meu filho as coisas mudaram de ordem mas com certeza continuarei na produção dos meu trabalhos como artista multimídia. Por hora estou reformando um espaço onde provisoriamente será meu lar e o meu local de trabalho.
Metropolix in EMERGENCY
Exposição: 30 julho de 2011, das 10h às 18h
Japonique, Rua Girassol, 175
Coprodução: Tamago
Neste dia também acontece o lançamento do zine erótico de Thais Ueda, Bijin Tokyo
Fernando Eguchi é artista multimídia. Nasceu em São Paulo e estudou arquitetura. Morou em Tóquio de 2007 a 2010 e agora começa uma nova jornada em NYC.